E se olhou como se estivesse vendo pela primeira vez. E era a primeira vez que se conhecia.
Sentiu-se um principiante no mundo, mas não de uma maneira ingênua e sim como um ator que faz sua estréia numa peça...maneira errada de se colocar o que ele sentia. Pois, finalmente, parava de representar e se colocava como o que veio a ser depois de tudo o que passara.
Não tivera uma vida difícil, pelo contrário, o incomodava a facilidade com que tudo lhe era dado e dai vinha a dor que o corroía. Via o mundo com uma melancolia, mas a melancolia estava nele. Não sabia o que era essa dor, tinha tudo para ser feliz. Assim parecia...
A plasticidade que o rodeava o incomoda, aquela etiqueta mal servida, o sorriso de lado por educação.
Viu que aquela vida não era dele, aquele modo de se portar. Era o que era esperado de alguém que teve a vida dele. E numa certeza tão repentina, mudou seus passos.
Os que ficaram e não viram seus passos seguintes, contam de sua ingratidão. Os que o conheceram depois contam do homem com passado certo e do menino que antes só conhecia o mundo pelos livres, só conhecia sua dor e que dessa se livrou quando deixou o certo pelo incerto.